Páginas

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Voltarei um dia... (2ª parte)


Clarice estacionou o carro em frente a padaria de dona Rosária, pelo menos ela esperava que ainda fosse, e entrou naquele pequeno comércio onde comprava pão todos os dias quando morava por ali. Quando entrou no estabelecimento, sentiu aquele delicioso cheiro de rosquinhas, aquele cheiro que ela tanto adorava. Se dirigiu ao balcão, onde estava uma menina que aparentava ter uns 16 anos. "Olá, você pode me informar se esta padaria ainda é da dona Rosária?" Perguntou ela com delicadeza. "Sim, é sim, você quer falar com ela?" Respondeu ela sutilmente, parecendo ser muito simpática. Clarice assentiu com a cabeça e a menina seguiu em meio a uma porta que ficava nos fundos da padaria. Alguns minutos depois, ela voltou, e logo atrás, vinha uma velha senhora caminhando em passos lentos  e com uma expressão de curiosidade para saber quem a havia chamado. Clarice sorriu ao vê-la e não demorou muito, as lágrimas rolaram. Dona Rosária, por alguns instantes, não soube quem era aquela jovem que chorava ao vê-la, mas quando olhou bem aquele rosto, aquela expressão, não precisou de apresentações. Abraçou-a sem dizer nenhuma palavra, envolveu-a em seus pequenos braços assim como quando ela era criança. "Nem posso acreditar que você lembrou da sua velha madrinha minha filha" Dizia dona Rosária " Eu apenas tinha medo, muito medo tia Rosa. Não sabe o quão difícil foi vir aqui."  Dona Rosária, além de dona da padaria, era a madrinha de Clarice, sempre cuidou da afilhada como se fosse sua própria filha, e ficou desnorteada quando a menina foi embora da cidade, deixando-lhe apenas uma carta:
"Querida tia Rosa,
Sei que neste momento está chateada comigo, e não lhe tiro a razão para isso.Eu precisava ir embora, precisava me afastar. Sabe tia Rosa, eu ando com umas certas dúvidas em relação ao Marcelo, não sei se ele será um bom padrasto na ausência de minha mãe.Eu não posso continuar aqui, além do mais, em breve completarei 18 anos e ninguém mais controlará minha vida.Espero poder voltar um dia, para abraçar-lhe.
                                                    Um abraço, Clarice.

Dona Rosária não sabia da verdade entre Clarice e Marcelo, a menina sempre achou melhor não contar. Na verdade ela sentiu medo de ser rejeitada pela única que ainda poderia lhe dar apoio naquele mundo. Mas depois daqueles 5 anos, Clarice decidiu que estava na hora de se abrir com sua madrinha.
                                                                                                                          Continua
Por: Érica Arruda


Pessoal, mas uma parte da história, espero que tenham gostado
terça-feira, 31 de maio de 2011

Voltarei um dia...


E lá estava ela, dentro de seu carro parado no meio da estrada, ao som de músicas há muito esquecidas, fitando ao longe aquela velha cidade. A cidade a qual prometera nunca regressar. O que lhe causava medo, o que lhe trazia aquela angústia, era o fato de apenas 5 anos terem se passado desde que partira, e as pessoas que lá residiam, poderiam reconhece-la por ser uma cidade pequena do interior. "Pare de besteira, você não deve nada a ninguém"  Falava ela para si mesma enquanto religava o carro e seguia diante daquela estrada que logo mais sumiria e deixaria apenas um pequeno caminho de barro. Ao adentrar a cidade, ela se sentiu voltando ao tempo, pode lembrar de todos os momentos vividos durante sua perfeita infância. No entanto, muita coisa havia se modificado na estrutura da cidade. Novos comércios, casas mais ornamentadas, e muitas outras mudanças que passaram despercebidas diante dos olhos daquela bela jovem, quando pode avistar mais adiante, aquela velha casa, que abandonara aos 17 anos, intacta. "Vamos Clarice, siga adiante, é apenas uma casa, não se deixe levar por essas emoções, seu objetivo aqui é outro" Ela se concentrava no seu verdadeiro motivo para retornar "ao passado". Clarice sempre guardou lembranças muito ruins daquele lugar, isso se deu por conta dos seus últimos anos vividos ali. Sua mãe havia conhecido um rapaz que  nunca foi merecedor do sentimento despertado na mãe de Clarice. Marcelo, o nome do dito cujo, era alguns anos mais novo que a mãe de Clarice, e todos sempre tentaram avisá-la sobre o quão mal caráter ele era. Clarice, apesar de amar muito a sua mãe e desejar que ela fosse feliz, não evitou se apaixonar por Marcelo, que muito audacioso, não hesitou em rejeita-la. Mas o grande fato ocorreu quando Marcelo, depois de muito planejamento, conseguiu matar a mãe de Clarice deixando-a desamparada no mundo. E era esta história que Clarice tanto tentava esquecer, que a levou de volta aquela cidade...
                                                        Continua
Por: Érica Arruda


Queridos e amados leitores, espero que tenham gostado dessa postagem, em breve continuarei. Ela não terá muitas partes, podem ficar tranquilos que não abandonarei a história pela metade como fiz em outras ocasiões. Comentem! As suas opiniões são importantes para o crescimento do blog!


quinta-feira, 26 de maio de 2011

Para quem nunca acompanhou

Olá, como vai?
Faz algum tempo que nos conhecemos e eu ainda não tive coragem para escrever-lhe. É difícil entender como uma pessoa que surge do nada deveria ter um peso enorme na minha vida. Confesso-lhe que ao principio recusei-me a acreditar em tal possibilidade, mas isso é normal, as pessoas ficam surpresas quando algo inesperado acontece. Fiquei noites e noites pensando na sua ausência e em todos os momentos que deveria ter sentido a sua falta, mesmo tendo apenas meras ilustrações em minha cabeça da sua fisionomia. Eu cresci, e durante esse tempo eu pude viver bem. Quando tinha 4 anos, contei para minha tia que eu tinha um namorado, ela riu um pouco e depois disse que eu não tinha idade para aquelas coisas... Imaginei qual seria a sua reação quanto a isso. Quando tinha 7 anos, grampeei meus dedos ao tentar arrumar um trabalho para a escola, eu chorei ao ver meu sangue escorrer, e você não estava ali para abraçar-me e dar um "beijinho" para sarar. Eu fui uma criança feliz e  nunca nada me faltou, na verdade, eu nunca senti a sua falta, eu apenas posso perceber hoje, os momentos em que eu poderia ter sentido mas não senti. Eu aprendi a andar, eu levei inúmeros tombos, eu aprendi a ler, aprendi a escrever, chorei fazendo birra, assisti desenho de manhã, comi "danone" tomei "nescau", brinquei com bonecas, aprendi a andar de bicicleta,ganhei um cachorrinho, brinquei de pique-esconde, aprendi a falar com Deus, aprendi a me expressar, fiz inúmeros desenhos, ganhei ursinhos de pelúcia, escrevi mil cartas, eu simplesmente cresci! E apenas uma palavra eu nunca pude dizer: Mamãe. Porque eu nunca te tive por perto e nunca me ensinaram a te amar. Não existiam motivos para essa palavra fazer parte do meu vocabulário. Espero que entenda meu medo Dona Ana, ainda não sei quais foram os seus motivos para deixar-me na casa dos meus tios e sumir por tanto tempo. Posso dizer que todos os dias tento vê-la como minha mãe e essa não é uma tarefa fácil! Mas um passo adiante nós já tomamos! Nós nos conhecemos! Espero que seja só questão de tempo para que eu posso abrir a minha boca e falar com gosto: EU TE AMO MÃE.
Um Abraço
  Lilian

44ª edição cartas - Infância Nostálgica Bloínquês
Muito obrigada projeto Bloínquês pela oportunidade.

Eu não desisti.


Eu lia cada palavra daquela carta, vagarosamente "Fiquei sabendo que está pensando em ir embora. Pensei nas longas conversas que um dia tivemos, e vi que se fores embora, deixarás para trás todos os sonhos que pensavas construir aqui. Não ouse desistir de tudo que você sonhou! Eu muito me admiro que você esteja sendo tão covarde, você que sempre me ensinou a ser forte até quando as forças pareçam acabar! Você que sempre me escreveu versos românticos, falando da sua luta para ser feliz! E como em um filme, você resolve fugir, como se tudo fosse dar certo ao recomeçar! Você está entrando no seu mundo fictício, mesmo sempre tendo me falado para não me iludir com todas essas coisas clichês, que não existem na maioria dos casos! Estou decepcionada com a sua atitude, hoje vejo que todo o seu ideal de vida era apenas mais uma de suas histórias" Eu ria ao ler cada palavra dela. Quantas vezes eu expliquei a minha maneira de viver a vida, quantas vezes eu tentei fazer com que ela acordasse! Mas como sempre, ela havia entendido errado. Eu apenas pude responder com outra carta, a qual o destinatário era merecedor de tais palavras "Você sempre fingiu entender tudo que um dia eu te ensinei, mas na verdade você fez tudo ao contrário, e decidiu levantar o dedo em minha direção para acusar-me do ato infame que seria desistir dos meus sonhos! Eu não desisti deles, eu apenas percebi que qualquer lugar para realiza-los será melhor do que perto de você. Isso é simples. Até breve. Um Abraço, Augusto." Precisei ser assim, é só quando apanhamos de alguém que percebemos os nosso erros... Ela com certeza perceberia os dela, mas ninguém me garantia que correria atrás para concerta-los. A minha parte eu havia feito, apenas devia seguir em frente.

Meu nome é Vida


Você me conhece desde que chegou a este mundo, e para falar a verdade, nunca paramos para conversar. Sempre que se sente injustiçado, recorre a qualquer outra solução, menos a mim. Já cansei de escutar-lhe reclamar com Deus sobre mim, e em certa parte eu sei que o erro foi meu. Já deveria ter me acostumado com isso, todos sempre reclamam da minha forma de lidar com o mundo. A grande realidade é que deveria existir um manual de instruções para seguir nesse mundo comigo. Assim como ninguém nunca lhe disse que seria fácil, ninguém lhe disse que seria difícil, ninguém lhe preparou para isso, você nem ao menos pode escolher seguir ou não com a minha companhia. Mas acontece que eu sou assim, imprevisível! Eu fui feita com essa função, ensinar-lhe indiretamente tudo que precisas aprender, antes que a minha amiga venha buscá-lo. Mas sinto-lhe informar que eu não trabalho sozinha, eu só tomo as decisões que cabem a mim, o que não é muita coisa. Eu faço com que nunca fique só, eu te trago novas alegrias, eu acompanho as pessoas que você ama, lhe dou opções de caminhos, lhe dou as lágrimas, lhe dou os sorrisos, eu gostaria muito de avisar-lhe antes de tudo acontecer, mas eu não posso.  Eu sou a Vida, e lhe acompanharei durante toda sua estadia neste mundo, até que um dia a Morte venha buscá-lo.
 

Blog Template by YummyLolly.com