quinta-feira, 30 de junho de 2011

Apenas para mim


Esta noite, não pude dormir. Sentei-me na janela e observei a lua, ocupei-me a noite completa em meus pensamentos difíceis e pesados e isso foi um grande esforço para mim. Poderia estar cansada e desejar a minha cama, passar o dia inteiro dormindo, mas não! Levantei-me, não passei na frente de nenhum espelho, eu me senti perfeitamente bela! Olhei no meu armário, e tirei de lá meu tão esquecido salto alto, coloquei-o. Hoje eu descobri que posso ter o mundo apenas para mim, e que nada pode me causar dano. Eu compreendi que o medo já não é mais forte do que eu. Saí caminhando por entre as ruas, sentindo aquele vento forte, vendo as folhas deixando as árvores nuas e olhando os belos casais, aqueles que sempre me deprimiam, e dessa vez me senti contente por prestigiar cenas tão bonitas. Apesar de todo aquele frio, passei minhas mãos na água que jorrava da fonte do parque central, pareceu-me quente. Na verdade tudo parecia quente, acolhedor, percebi que finalmente me sentia parte desse mundo. Consegui rir de mim mesma e ver o quanto tinha mudado e não havia percebido. Consegui inspirar-me em meus poemas, em minhas musicas. Hoje foi um dia perfeito, me arrisquei sem medo de cair, senti o mundo apenas para mim.

Inspirado na música "Ella" - bebe  
Mil desculpas por demorar a postar, estava passando por uma crise de personalidade (que coisa mais clichê) e  não pude postar. Espero que consiga postar regularmente. Um abraço pessoal.
terça-feira, 14 de junho de 2011

Cigarros e conhaques


O sol já nascia, os raios passavam por entre as frestas que as cortinas mal fechadas deixavam existir, enquanto ela estava jogada no carpete do seu quarto fumando mais um cigarro, o último da 3ª caixa que fumara durante a noite, e colocando mais um pouco de conhaque em seu copo. Passara a noite ali, fumando e bebendo como nunca houvera feito antes. Sentia-se mais aliviada depois daquela noite, apesar de não ter esquecido nenhum de seus problemas que lhe atormentavam. Seu celular estava em cima da estante, tocara a noite toda, e quem quer que fosse, ela não fez questão de atender. Perguntas como "Porque?" ou "Até quando?" saíram de sua boca durante a madrugada, mas nem ela sabia ao certo o motivo para estar ali. No dia anterior havia brigado com todos os seus amigos " Eu não preciso deles, não os quero mais em minha vida" repetiu ela inúmeras vezes enquanto escutava seus antigos discos de vinil. Quem a visse naquele estado, ficaria admirado. Ela nunca foi tão fraca como estava sendo, todos sempre viram-na como a mulher mais elegante e forte que conhecem. Mas naquela noite, ela pôde se dar o luxo de ser fraca e baixa ao mesmo tempo. Enquanto dançava uma convidativa valsa, sozinha como era de se esperar, no espaço vago de sua sala de estar, ela recitava seu discurso, o qual sonhava gritar para o mundo ouvir: "Eu quem sou? Uma grande mulher, uma ótima escritora, reconhecida por muitos, bem remunerada! Mas de que me adianta? Meus amigos fogem de mim, e meu amado, ó o meu amado, nem seu nome eu me recordo." Os sinais de embriagues já eram evidentes nas palavras daquela mulher, afinal, já nem se recordava do nome daquele que um dia partiu, dizendo-lhe que voltaria. Ela simplesmente havia cansado, sentia-se melhor daquela forma, e não havia ninguém que pudesse lhe repreender por isso. "Eu sou livre!" Gritou ela, ao mesmo tempo que derramava um copo de conhaque em sua cabeça. Rindo sozinha, ela se arrastou até a cama, era hora de dormir. Jogou de lado o sobre tudo, e deitou-se em sua cama. Ali passou o resto da manhã, e quando acordou, assustada por sinal, sentiu aqueles braços fortes envoltos em seu corpo e uma voz terna em seus ouvidos " Volte a dormir, vejo que sua noite foi longa, não se preocupe, estou aqui, está tudo bem". Nada mais ela escutou, apenas sabia que ele havia voltado.
domingo, 12 de junho de 2011

Eu sou o coração das trevas!



Ao fugir da solidão buscando companhias quaisquer, me feri. Ao buscar amores perfeitos, sangrei. E se continuasse assim, morreria. Quantos ideais desfeitos eu chorei, quantos versos românticos escrevi, mas de que valeram? Serviram para alimentar meus medos e prender-me a uma vida movida às custas dos outros. Eu era dependente de toda e qualquer pessoa que fosse capaz de colocar um sorriso em meu rosto. Sorrisos que só abriam as portas para amarguras. Amigos? Onde foram parar? Sumiram sem nem olhar para trás, não se preocuparam com aquela pobre inocente que tinha medo da solidão. Mudei. De pobre ou inocente nada tenho. Companhias são totalmente dispensáveis ao meu dia, em realidade, eu não faço parte do mundo. Vivendo aqui na solitária de uma torturante prisão, eu me sinto bem. Eu sou a única que não cogita quando mandada para cá, melhor dizendo, eu sempre estou aqui, por escolha própria! Me dá nojo conviver com todas aquelas mulheres que se dizem suas amigas, sendo que a única coisa que podem ter em comum é o crime cometido. Mulheres que se arrependem das coisas que fizeram... FRACAS! Eu nunca me arrependerei de o ter matado, assim como nunca esquecerei de seu sangue em minhas mãos. Ele mereceu, jogou a minha amizade fora, trocou-me por uma qualquer que nunca se deu valor! A nossa amizade seria para sempre se não fosse por ela! Sinto-me bem aqui, na escuridão dessa sala fria. Pelo menos aqui, posso pensar em como a levarei junto a mim para o inferno quando ver a cor do sol novamente. Eles foram o motivo para tornar-me esta que vos fala. Nada temo, seguirei em frente até meu último suspiro, pois eu sou o coração das trevas.


1° Concurso ABL
quinta-feira, 9 de junho de 2011

No amor e no jogo vale tudo!



Querido amigo,

Escrevo-lhe para dizer que partirei em breve. Sentirei a sua falta companheiro! Falta das noites que ficávamos vagando pelas sarjetas, completamente embriagados. Falta das confusões que arrumávamos com os estudantes dos cursos que divergem das engenharias. Por falar nisso, acabo de perceber que não iremos nos formar juntos como sempre planejamos, mas espero que compre aquelas vuvuzelas para fazer bagunça e deixar os seguranças irritados. Mas voltando para o propósito desta carta, você sempre foi um amigo excepcional, acompanhou-me durante todos esses anos fielmente. Este sempre foi o nosso lema meu caro, a lealdade, pois bons amigos se baseiam nisso. Mas chegamos a um ponto que trairíamos um ao outro. Sabes do que falo, sabes o que está acontecendo. Sempre tivemos os mesmos gostos e não admiro-me por termos nos apaixonado pela mesma mulher. Ela foi sempre tão perfeita, aquele sorriso terno, aqueles olhos profundos, aquela voz serena, o perfume de rosas, a delicadeza e educação de uma baronesa! Sei que também te sentes louco ao pensar em tocar aqueles lábios meu colega, te conheço muito bem para afirmar isso. Sempre falávamos que mulher nenhuma seria capaz de interferir na nossa vida. Completamente equivocados, hoje, ela é o motivo para nossas bigas rotineiras meu caro! E nem ao menos paramos para nos perguntar se ela ao menos nos enxerga com outros olhos! Sabes que ela encanta muitos por ai e não demonstra sequer um mero sentimento. Mas conosco é diferente, ela é nossa amiga, e fica muito difícil perceber o que se passa naquela mente. Por isso grande amigo, tomei uma decisão. Conversei com ela, uma conversa de longas horas, e depois de tantas palavras trocadas, precisei escrever-lhe esta carta. Desejo-lhe toda a felicidade do mundo meu amigo, espero que consigas ser feliz, pois eu o serei. Não fui honesto contigo, e não me arrependo. Sexta-feira, partirei, e junto comigo ela irá! Perdão, é só o que posso dizer.
Pois como sempre dizemos: No amor e no jogo vale tudo!

                               Um abraço  meu camarada!
Ass: Victor

Tema - 141ª semana  - Blorkutando

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Voltarei um dia... (2ª parte)


Clarice estacionou o carro em frente a padaria de dona Rosária, pelo menos ela esperava que ainda fosse, e entrou naquele pequeno comércio onde comprava pão todos os dias quando morava por ali. Quando entrou no estabelecimento, sentiu aquele delicioso cheiro de rosquinhas, aquele cheiro que ela tanto adorava. Se dirigiu ao balcão, onde estava uma menina que aparentava ter uns 16 anos. "Olá, você pode me informar se esta padaria ainda é da dona Rosária?" Perguntou ela com delicadeza. "Sim, é sim, você quer falar com ela?" Respondeu ela sutilmente, parecendo ser muito simpática. Clarice assentiu com a cabeça e a menina seguiu em meio a uma porta que ficava nos fundos da padaria. Alguns minutos depois, ela voltou, e logo atrás, vinha uma velha senhora caminhando em passos lentos  e com uma expressão de curiosidade para saber quem a havia chamado. Clarice sorriu ao vê-la e não demorou muito, as lágrimas rolaram. Dona Rosária, por alguns instantes, não soube quem era aquela jovem que chorava ao vê-la, mas quando olhou bem aquele rosto, aquela expressão, não precisou de apresentações. Abraçou-a sem dizer nenhuma palavra, envolveu-a em seus pequenos braços assim como quando ela era criança. "Nem posso acreditar que você lembrou da sua velha madrinha minha filha" Dizia dona Rosária " Eu apenas tinha medo, muito medo tia Rosa. Não sabe o quão difícil foi vir aqui."  Dona Rosária, além de dona da padaria, era a madrinha de Clarice, sempre cuidou da afilhada como se fosse sua própria filha, e ficou desnorteada quando a menina foi embora da cidade, deixando-lhe apenas uma carta:
"Querida tia Rosa,
Sei que neste momento está chateada comigo, e não lhe tiro a razão para isso.Eu precisava ir embora, precisava me afastar. Sabe tia Rosa, eu ando com umas certas dúvidas em relação ao Marcelo, não sei se ele será um bom padrasto na ausência de minha mãe.Eu não posso continuar aqui, além do mais, em breve completarei 18 anos e ninguém mais controlará minha vida.Espero poder voltar um dia, para abraçar-lhe.
                                                    Um abraço, Clarice.

Dona Rosária não sabia da verdade entre Clarice e Marcelo, a menina sempre achou melhor não contar. Na verdade ela sentiu medo de ser rejeitada pela única que ainda poderia lhe dar apoio naquele mundo. Mas depois daqueles 5 anos, Clarice decidiu que estava na hora de se abrir com sua madrinha.
                                                                                                                          Continua
Por: Érica Arruda


Pessoal, mas uma parte da história, espero que tenham gostado
 

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